Instrumentos Musicais Angolanos

África é um continente abençoado com uma enorme diversidade étnica, cultural e linguística e, com certeza, uma das regiões musicalmente mais diversificadas de todo o mundo, onde o clima e a paisagem se reflectem em várias formas de expressão musical. Descrever genericamente a música africana é uma tarefa arriscada dada a quantidade e variedade de expressões musicais em África.

Existem no entanto, algumas semelhanças regionais entre grupos desiguais, assim como algumas tendências que são constantes ao longo de todo o comprimento, largura e grandiosidade do continente africano. Em resumo, a música africana é tão vasta e variada como as muitas regiões, nações e grupos étnicos do continente e assume um papel essencial na vida diária do povo, fazendo parte de cerimónias e rituais, particularmente os relacionados com etapas da vida do homem, desde o nascimento até à morte.

Na sociedade africana, a música é um elemento indispensável no cumprimento de certos ritos sociais e religiosos. Os instrumentos musicais não servem apenas para tocar, aparecendo, similarmente, como veículos de correspondência com os outros e com a divindade. Por vezes, adquirem o poder de invocar entes espirituais com fins curativos e, nalguns casos, tornam-se mesmo a voz da divindade e dos antepassados.

Uma vez que a África é um mosaico de grupos étnicos, cada um com o seu património histórico e cultural próprio, são numerosas e variadas as singularidades das tradições musicais de cada povo e notam-se nessas tradições muitas características técnicas, culturais e sociais comuns, fruto de contactos e intercâmbios recíprocos.

Uma das características mais evidentes da música de raiz africana é a complexidade de diferentes ritmos executados em simultâneo, aliás, o ritmo tem um papel fundamental, destacando-se em relação à melodia. Outra das características da música africana é a existência de uma grande variedade de instrumentos musicais que na sua maioria são bastante simples e originais. Peles, madeira, fibras vegetais, cabaças, pedras e, mais raramente, o ferro são as matérias-primas com que se fabricam tais instrumentos.

Em Angola, como em África, foi a multiplicidade a todos os níveis que existe entre o povo que originou o florescimento de inúmeros estilos musicais. Como praticamente todo o mundo, também a música angolana foi influenciada, e influenciou, estilos musicais de outros países em especial na América do Sul.

De todos os estilos musicais angolanos, destaca-se o Semba por ser o mais popular e o antecessor de outros estilos musicais. Este estilo de música é, sem sombra de dúvida, um marco cultural em Angola, sendo ouvido e dançado nas mais diversas situações.

O kizomba e o kuduro são géneros musicais mais recentes, surgiram no final da década de 80 e inícios da década de 90, e que rapidamente conquistaram o mercado. A diversidade musical angolana não se limita a estes três estilos musicais apresentados, muito pelo contrário, existem uma série de outros géneros como o rebita, o merengue, o kabetula, o kazukuta, entre outros.

Os instrumentos musicais de Angola pertencem à tradição organológica africana e são geralmente feitos à mão, o que os torna em autênticas obras de arte cobiçadas por coleccionadores.

Todas as espécies existentes estão agrupadas em quatro categorias, conforme a natureza do elemento vibratório. Segundo uma classificação, geralmente aceite, os instrumentos musicais dividem-se em quatro grupos, de acordo com o corpo vibrante que produz o som: os idiofónicos, quando o que vibra é um material sonoro, como a madeira, as pedras, o metal ou as cascas, os membranofónicos, se for uma membrana a gerar som ao vibrar, os aerofónicos ou instrumentos de sopro, sempre que o corpo vibrante que origina som é o ar e os cordofónicos, quando o som é obtido através de cordas.

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